sexta-feira, 26 de abril de 2013

Muk Yan Jong...Boneco de Madeira




Segundo a lenda popular, por volta de 1600, o Tempo Shaolin tinha um corredor formado por Bonecos de Madeira pelo qual os estudantes ao terminarem seus treinamentos eram obrigados a passar como um teste final para poderem deixar o Templo. Poderia ser executada apenas uma única técnica em cada boneco e aí surgiram as 108 técnicas do Boneco de Madeira já que o corredor continham 108 bonecos. Alguns acreditam que os bonecos de madeira seriam os monges mais velhos vestidos por armaduras de madeira ou então Bonecos de Madeiras fixos com braços e pernas móveis que eram manipulados por cordas pelos monges para executarem movimentos de ataques. Ficção ou realidade, estas são as informações que se tem para explicar as origens do Boneco de Madeira.
Quando os Manchus invadiram o Templo e destruíram tudo, esse corredor de bonecos também foi totalmente destruído e sua reconstrução estava fora de questão do governo repressivo e assim as 108 técnicas do Boneco de Madeira passaram a ser executadas e praticadas em apenas um único boneco. Ainda voltando na época da destruição do Templo, os cinco Mestres sobreviventes de Shaolin fugiram, levaram consigo as técnicas e foi aí que esta técnica foi ensinada pela primeira vez à estranhos como um modo de sobrevivência ao regime do governo repressivo de Ching e para a retomada de tal governo.
Foi adotado então uma rápida expansão dos treinamentos pelas mais baixas classes e bandidos para as muitas tentativas de retomada do governo, porém nenhuma com êxito, até que os exércitos aliados da Inglaterra, Europa e América se uniram em 1900 e a morte dos Manchus foi decretada. Durante esse período o Wing Chun se desenvolvia de forma eficaz e foram utilizadas técnicas de mãos abertas e de armas para combater os soldados de mais alta hierarquia do exército Manchu e causar assim o caos e desordem ao longo do governo. Todo o treinamento era realizado escondido pois era proibido a prática do Wu Shu naquela época e toda obra literária foi queimada e assim muito raramente era escrito alguma coisa por temer a descoberta e serem mortos pelos Manchus.
Como as obras literárias do Templo Shaolin foram totalmente empilhadas e queimadas, todo o ensinamento somente era transmitido boca a boca e este era o único método para a técnica ser passada e isso responde o fato de haver vários sistemas da mesma técnica do Wing Chun. Para a maioria, quando se pensa em Wing Chun, a primeira coisa que se vem em mente é o Boneco de Madeira.
Embora muitos estilos de Wu Shu utilizem Bonecos de Madeira como parte fundamental de seus sistemas de treinamentos, nenhum tem o mesmo formato e estrutura como o do Wing Chun. O Boneco de Madeira é construído para simular um homem, e é semelhante em peso e altura. Dois braços são fixados na parte superior com um único braço central colocado no meio do corpo do boneco. Abaixo é fixada uma perna curvada simulando o oponente em uma posição de arqueiro ou então em um chute baixo. Atualmente o Boneco de Madeira recebe a mesma estrutura ao longo da China e Hong Kong, porem existem muitas variações ao longo do sul-leste da Ásia.
O Boneco de Madeira pode ser usado para uma variedade de métodos de treinamentos. Treinamentos com o Boneco de Madeira resulta num forte condicionamento dos braços e pernas, porem a função primária é trabalhar os ângulos corretos de ataque e defesa e a correta movimentação de deslocamento para o sucesso de um combate real.A prática constante com o Boneco de Madeira, melhora a força, a percepção angular, e a  postura técnica do praticante.
(fotos:Robson Barboza- Shifu: Alexandre Degaspari-texto: pesquisa em rede)

sexta-feira, 22 de março de 2013

segunda-feira, 11 de março de 2013

Qigong (Chi kung)


Gong significa trabalho, e qi tem várias traduções possíveis, sendo uma das mais precisas “sopro vital”. A tradução mais popular é sem dúvida “energia”, que não chega a ser uma má tradução desde que não se faça confusão com o conceito físico de energia. Assim, qigong (chi kung) significa literalmente “trabalho sobre o sopro vital”. O termo qigong (chi kung) pode ser aplicado então a qualquer exercício que vise influenciar a circulação do sopro vital no corpo humano. 

Nos tempos antigos o qigong (chi kung)xingqiqi), fuqi (tomar qi), tuna (expirar e inspirar), daoyin (induzir e conduzir o qi), shushuzuochan (meditação sentada), shiqi (viver do qi), jingzuo (sentar quieto), e wogong recebeu vários nomes diferentes, como (promover e circular o (contar a respiração), (exercício deitado), entre outros.

                                            Kou Yu Cheung (1894-1943) - Demonstrando a Palma de Ferro

Variações 
Existem várias dezenas de exercícios de qigong (chi kung) diferentes, pertencendo à tradições diversas e com objetivos distintos. Muitos destes exercícios são benéficos à saúde e sua prática não oferece risco mesmo para pessoas com a saúde debilitada, outros exigem um preparo prévio grande e podem até ser causar danos ao praticante se não forem cultivados apropriadamente e seguindo à risca instruções detalhadas que chegam a envolver o estilo de vida do aprendiz.
Desta forma, ao decidir-se pela prática do qigong (chi kung) o primeiro passo é definir qual o objetivo almejado. Pode-se dividir, a título didático, os exercícios de qigong (chi kung) em três grupos de acordo com o objetivo: o qigong (chi kung) terapêutico, o qigong (chi kung) marcial, e o qigong (chi kung) religioso. No entanto é preciso ter em mente que esta divisão é artificial e algumas vezes arbitrária, pois muitos exercícios podem ser usados para mais de um objetivo.
O qigong (chi kung) terapêutico visa melhorar a saúde do praticante, seja tratando uma desarmonia já presente ou fortalecendo a saúde para tornar mais difícil que algum desarmonia se instale. Alguns exemplos de exercícios terapêuticos chineses são o qigong (chi kung) dos Oito Brocados e o qigong (chi kung) dos Seis Sons. O qigong (chi kung) marcial tem como meta fortalecer o físico do praticante de modo a permitir que este receba impactos com o mínimo possível de dano e desfira golpes com o máximo de potência e efeito. Dois exemplos famosos são o exercício da Camisa de Ferro e o da Palma de Ferro. O qigong (chi kung) religioso tem o objetivo de treinar a mente do praticante a atingir determinados estados de concentração necessários ao progresso na meditação, e de fornecer as condições físicas e energéticas para que estes estados possam ser atingidos.
A maioria dos exercícios de qigong (chi kung) emprega visualizações, direção da atenção mental, e controle respiratório. Estas técnicas são utilizadas em várias combinações em graus diversos de intensidade, e podem ou não ser combinadas com movimentos físicos.

Algumas precauções

É essencial compreender, antes de iniciar a prática de qualquer exercício de qigong (chi kung), que muitos deles possuem contraindicações e que outros, se não forem ensinados com muita precisão e cuidado, podem causar danos à saúde do aluno, até mesmo irreparáveis. Por outro lado, muitos exercícios podem ser praticados livremente sem qualquer cuidado especial.
O qigong (chi kung) da palma de ferro, por exemplo, pode levar à danos aos tendões e à energia do Fígado, e existem medidas importantes para evitá-los. Outros exercícios de qigong (chi kung) marcial tinham o único objetivo de tornar um lutador rapidamente eficiente, por isto não incluíam nenhuma prevenção para manter a saúde do praticante a longo prazo.
Até mesmo exercícios terapêuticos como o qigong (chi kung) dos seis sons podem causar problemas: o Grão Mestre Chen Xiaowang, ao ensinar este exercício, alerta os alunos sobre a precisão necessária ao reproduzir o timbre exato de cada som, sob pena de criar desequilíbrios no órgãos em lugar de regular as suas funções.
Já o qigong (chi kung) dos Oito Brocados é um exercício simples e muito popular na China, adequado ao uso como instrumento de saúde pública, por ser de fácil execução, além de amplamente adaptável à forma física do praticante.

Qigong e taijiquan (tai chi chuan)

O taijiquan (tai chi chuan) inclui em sua progressão didática a aquisição da habilidade de dirigir o qi. Por isto pode-se dizer que o taijiquan (tai chi chuan) inclui o qigong (chi kung). Até a 18ª geração da família Chen o qigong (chi kung) do taijiquan (tai chi chuan) era aprendido quase que unicamente dentro da forma, pela repetição exaustiva desta durante anos até que os princípios de circulação do qi tornassem-se claros naturalmente. Os Grão-Mestres da geração atual (a 19ª) da família Chen, levando em conta as dificuldades em implementar uma prática tão intensiva da maioria dos seus alunos, modernizaram a didática antes espartana e elaboraram os exercícios básicos de desenrolar da seda (chansijin) e de postura da estaca (zhanzhuang (zhan zhuang)). Assim podemos dizer que estes são os exercícios de qigong (chi kung) do taijiquan (tai chi chuan), embora é claro os princípios aprendidos com estes exercícios devam estar presentes durante toda a prática.
No entanto o taijiquan (tai chi chuan) difere de grande parte dos exercícios de qigong (chi kung) em que não devem ser empregadas técnicas de visualização, de controle da respiração ou de direção da atenção mental com o objetivo de dirigir o qi. O princípio fundamental do taijiquan (tai chi chuan) é a naturalidade: o caminho para atingir a habilidade de circular o qi é fazer com o que o corpo forneça as condições para que isto aconteça. O corpo deve ser treinado com os exercícios de zhanzhuang (zhan zhuang), de chansijin e com a laojia com a intensidade e durante tempo suficientes para que a postura e o movimento corretos do corpo permitam que a respiração ajuste-se por si só, e que o qi circule espontaneamente com o movimento.
O Grão-Mestre Chen Xiaowang costuma dizer durante seus seminários: “Se você tem a postura e a respiração errados, você tem somente um erro; se você tem a postura errada e a respiração correta você tem dois erros”. Com isto o que está sendo explicado é que é um erro forçar a respiração de acordo com quaisquer normas, pois a respiração deve ser natural. Conforme o corpo for sendo modificado a respiração mudará espontaneamente sem que seja necessária interferência da vontade do aluno. Se você tentar fazer a sua respiração se aprofundar forçosamente com a sua mente a única coisa que conseguirá será mais rigidez. Primeiro é necessário corrigir o seu corpo, então você pode relaxar, e então a respiração automatica e naturalmente se aprofunda, mas isto não é controlado pela sua mente. A arte marcial do taijiquan (tai chi chuan) não é “arte marcial do controle da mente”: mais tarde é necessário chegar a um estado de não-mente, de mente vazia, o que quer dizer que não resta mente alguma que controle o que quer que seja, não há “eu quero” ou “eu desejo”, ou “eu tenho que”.
O mesmo aplica-se à circulação do qi : é inútil imaginar a circulação do qi durante o treinamento. O que tem que ser feito é ajustar a posição e o movimento do corpo com precisão suficiente para que o movimento do corpo cause a circulação do qi. Assim como não é possível derrubar um adversário mais forte apenas por desejar, ou por concentrar-se bastante e imaginar, também não é possível forçar a circulação do qi através da concentração ou de visualizações.
fonte da pesquisa-http://taijiquan.pro.br/estilo-chen/qigong/